Linda e imponente, rica e poderosa, tendência e glamour. Esses são alguns atributos da refinada Shannon: Cabelos castanho escuro e olhos castanho claro, tinha 36 anos e grande parte das bancas da cidade abrigava copias de sua revista.
Shannon estava em sua jacuzzi quadrada em uma noite gelada de dezembro em Nova York. Submergida da cintura para baixo, ela sentia a dualidade do quente e frio, fumava um cigarro e bebia um Martine enquanto olhava o céu tempestuoso.
-Já estou indo querida – gritou de dentro da casa, através das portas de vidro que divide a ares externa da sala, o seu meio marido meio namorado Chris.
Chris era alto, um pouco fora de forma, cabelos negros e olhos azuis. Shannon o conheceu em um bar e ficaram juntos desde então. Eles estiveram vivendo bem antes dele vier morar com ela, depois veio a tormenta. Chris crescera no mundo da fama as custas dela, e era isso que ela iria acertar essa noite
- Só mais um minuto – gritou novamente Chris
- Pode demorar uma eternidade, seu porco! – murmurou Shannon.
Então ele veio andando com seu calção de banho, um charuto em uma mãe e um copo de whisky na outra, Shannon desviou o olhar das nuvens e se pois a olhar Chris vindo em sua direção. “eu quero que você morra, seu desgraçado ingrato.” Pensou Shannon, porém, não era isso que se via em sua expressão.
O que Chris via e entendia era que sua mulher estava radiante em vê-lo, linda e nua na água “É a coisa mais bela que já vi. Que sorte que eu tenho.” Pensou ele, o que divergia dos pensamentos de sua futura ex-mulher.
Chris subiu os degraus e adentrou a jacuzzi com um minúsculo “Tibum” fazendo espirrar água molhando Shannon, que fingiu que aquilo foi um presente que ele nunca lhe dera: um colar de diamantes.
-Então querida, o que queria conversar? – perguntou Chris bebericando seu whisky e puxando seu charuto.
O sorriso de Shannon não sai de seu rosto, ela tragou seu cigarro, soprou a fumaça e, no que se parecia que ela iria dizer algumas palavras, ela se levantou e foi até as paredes de vidro que dava para a cidade e estudou a cidade lá embaixo. Era tão linda: os carros, o cinza com o branco, a cidade que nunca parava mesmo mergulhada em neve. Decidiu que teria que acabar logo com aquilo, Rápido e Direto:
- Você foi demitido Chris. – disse Shannon ainda olhando para a cidade lá embaixo. – Eles acham que você matou Mona Hipekins, Elizabeth Watson e Albert Minogue.
Estatelado! Isso resume o que é como Chris ficou depois daquelas palavras de Shannon. Não acreditou que estava sendo acusado de assassinato, ele nunca matou ninguém. Antes que pudesse perder o controle, Shannon foi quem falou:
- Não se martirize! Eles não têm como provar... Ainda! Eles estão procurando um ponto cego. Mas não depois que eles verem isso!
Ela foi até as plantas que ficavam perto da jacuzzi e pegou um pequeno saco plástico. O mais incrível era o que tinha dentro do saco. Uma 9 mm prateada.
-Como... Como...? – foram as únicas palavras que saíram de sua boca. Foi ai que caiu a fixa: as mortes pelo que estava sendo acusado, tinha sido mortos por uma 9 mm. – Foi Você!
Shannon riu segurando o saco e sentado-se nua na beira da jacuzzi ficou com as pernas dentro da água quente e começou a falar.
- VOCÊ matou eles! Eu sou apenas a mulher de um assassino que anda matando por ciúmes!
-Eu não matei ninguém! – disse indignado.
-É! –admitiu Shannon – Vamos ser honestos, fui eu que matou toso.
- Mas... Por que você...? – ele dizia tudo se atrapalhando.
- Bem, você merece saber o porquê! – disse ela, se apoiando com uma mãe, dando uma última tragada em seu cigarro e apagando-o na borda na jacuzzi. – Matei eles pra incriminar você! – disse ela agora em tom sério, vendo a expressão de Chris. – Oooh! Olhe só você, incrédulo diante a verdade.
E estava mesmo, Chris não mexia mais nenhum músculo e estava boquiaberto, olhos esbugalhados e a única coisa que se podia escutar era o som do sangue em seus ouvidos.
-Uma coisa: você é um crápula, nojento, desprezível, que a única coisa que você fez foi montar em cima do meu sucesso e sugá-lo. – disse Shannon como se estivesse com nojo das palavras cuspindo-as em Chris. – agora vou desvendar os mistérios.
“Primeiro Mona Hipekins, ela era uma amiga nossa se lembra? Pois bem, primeiro me aproximei dela, ficamos intimas, o sexo era ótimo e depois... se lembra aquela vez que você ficou naquele bar nojento e encontrou Mona? Aquela noite a matei! Nada prova que fui eu e sim você. Motivos: Ciúmes! Todos sabiam que eu e ela mentíamos um caso, todos menos você é claro, e todos desconfiavam que você tinha descoberto e a matou.
“Porém tinha um empecilho: Elizabeth Watson! Ela me viu saindo do bar depois que matei mona e me chantageou, você compreende, não é Chris? Tinha que matá-la, ela ameaçava nossos planos. Então, como era amiga em comum, minha, sua e de todos, a matei no dia da festa que eu “não fui” mas você sim. Então... você pode saber o que acontece naquele banheiro que a encontraram depois que você saiu. E mais uma vez todos pensaram que foi você, pelo fato de estarmos sempre eu e ela juntas. Pensaram que foi mais um outro acesso de ciúmes seus!
“Ah! Mais ainda tem Albert para explicar. Albert Minogue! O chefe de circulação da revista, aquele que sempre teve uma queda por mim! Lembra daquela premiação quando eu ‘vim embora’ por que estava passando mal? Fiquei na espreita com outra roupa e quando ele veio te trazer por que eu tinha trago o nosso carro... Bang Bang... E todos pensaram que eu estava sendo ameaçada! O grande ciumento matando meus “amantes” e me ameaçando, e você não soube de nada.”
Ela termina o seu discurso com uma gargalhada. Chris estava mais fora de si agora que antes, quando soube que era suspeito de assassinato, os mesmos assassinatos que sua mulher cometeu. Ele estava sem palavras e sem reação.
- E agora – disse ela tomando o resto do seu Martine, jogando a taça na jacuzzi, pegando a 9 mm e apontado para Chris. – Temo que dar um fim nesse joguinho.
Se Chris estava antes sem reação e estatelado, estava agora desperto e decidido: “não posso morrer!”
- Ou! Ou! Ou! – exclamou Chris. – Pera-lá, vamos com calma! Não tome nenhuma atitude precipitada.
- Não tem nada precipitado aqui, já pensei em tudo! Você morre e eu mato dois coelhos... Não é assim que é a expressão: matar dói coelho com um cajadada só? Pois bem, eu te mato: o que tira da minha vida um cara insolente e nojento de uma vez por todas, e ainda sim faço um favor pra policia ter provas o suficiente pra deduzir que você matou todos aqueles que foram meus “Amantes”.
- você não sabe o que esta falando! Você não quer isso realmente e...
- Cale sua boca! – ordenou – Eu sei sim o que eu quero e vou fazê-lo – dizia ela andando até ele pela jacuzzi até Chris e apontando a arma para a cabeça dele. – Eu planejei isso no momento em que te vi! Christian Peterson O galanteador de Nova York High Schrool, sempre desempregando os diferentes... mas não quando saímos de lá quando você ficou desempregado e eu...
-Estagiaria do New York Post! – disse Chris. Agora a indignação era o que o fazia ficar ali, diante a morte e ainda ter força e coragem.
- Aaah! – exclamou mais indignada agora! – então você sabia o tempo todo! Nojento que é... Deixa eu adivinhar: Pesquisou e acompanhou minha vida depois da escola e atacou na hora certa.
-Não! – disse ele. –Eu nem reconheci você quando te vi, fui saber quem era só depois, e fiz algumas pesquisas no Google.
-Você é mais patético do que eu imaginava. Pesquisar no Google?Só você mesmo! – disse sorrindo maliguinamente e carregando a arma. – Vamos acabar logo com isso! Adeus Grande Patife!
- Você é Louca!
E ele esperou, viu como se fosse em câmera lenta: O dedo dela puxando o gatilho, escutou cada “Cleck” e no último estante, quando a bala iria sair e não dava tempo dela mudar de direção, ele se pois para o lado. O disparo não foi muito alto porém foi o suficiente para ecoar pela cidade gelada.
O tiro abriu um buraco na jacuzzi e começou a vazar água quente para a varanda, Chris agarrou a mão de Shannon e lutou com ela. Era mais forte que ela, iria conseguir reverter a situação, iria render Shannon e fazer cela contar a verdade para os policiais, o foi fraco mas suficiente para alguém escutar que se tratava de um tiro e chamar a policia.
Foi quando aconteceu: O segundo disparo foi feito e bem na hora em que a arma estava na mão de Chris. Ardência, desconforto, um líquido quente escorria e um frio interno se aproximava pela espinha.
Por um momento, eles ficaram se olhando, olho no olho, os dois estatelados e estáticos como se a única pala tivesse atingido os dois.
Porém... foi Chris quem caiu na jacuzzi que estava quase sem água. Um rio de sangue escorria pelo seu abdomem. Ele atirou e atingiu a ele mesmo e agora estava morrendo pelas suas próprias mãos.
- Você me fez um favor! – disse Shannon como se tivesse descoberto que sua melhor amiga tinha lhe feito uma festa surpresa. –Pra poder te incriminar eu iria por a arma na sua mão e dar um tiro para poder deixar pólvora e ainda suas digitais na arma, mas você fez isso por mim! Pois... em seus últimos momentos miseráveis de vida, não crie esperanças que eu posso ser incriminada. – dizendo isso ela ia se agachando para ficar cara a cara com Chris. – Sim, há pólvora na minha mão, mas foi por causa da nossa luta a pouco tempo, que eu não vou precisar mentir por que realmente aconteceu.
Chris, em agonia tremeluziu, virou as orbitas e ficou mole deixando esse mundo. Shannon se pois de pé, pegou a arma que tinha caído na jacuzzi – que agora estava tingida de vermelho vivo – e disse para o corpo sem vida de Chris:
- Você mereceu isso, seu verme!
Apontou a arma para o seu próprio braço e disparou.
Dolorosamente e sangrando, Shannon deixa a 9 mm sumir no escarlate da jacuzzi e se esgueirou até a borda gélida, onde deitou estatelada simulando – desde agora – que acabara de lutar por sua vida.
Ali, no chão gelado de inverno, ela aguarda a polícia chegar até o seu apartamento. Ensanguentada e dolorida, Shannon já escutava as sirenes da policia lá de cima.