sexta-feira, 17 de junho de 2011

Trovadorismo Mudo


Falsetas do amor que não se pode explicar e a demonstração, por mais que seja intensa, ainda fica deturpada em sua demonstração.
Vejo-lhe nos corredores frios da manha em que andamos tão incansavelmente nesses anos que lhe tenho a dádiva de ter lhe visto e ter lhe falado em certa ocasião cômica.
Olho em teus olhos perdido no relento e imagino como seria esses mesmo olhos em meus em suaves cantigas de amor faldas por gestos de mãos.
Vejo tua forma grande e viril e fantasio de como seria teu corpo me acatando bem lentamente em uma tarde ensolarada num campo verdejante longe dessas terras áridas e intensa em que vivemos.
Fecho meus olhos e imagino nos dois em plena fonte da juventude nos descobrindo juntos. Silencio. Silencio esse que é completado por tua respiração leve porem intensa no pé de meu ouvido.
Imagino teus beijos calorosos em meus lábios rosados, rosando em ritmo perfeitamente coreografado. Sussurros. Sussurros estes, que não são de vozes, mas sim de pele sobre pele nua enquanto nos juntamos em nossa cama feita do corpo de Gaia.
Fantasio com teus olhos brilhantes de eterno sonhador que eu vejo em leves momentos enquanto estou passando pela tua morada do saber, olhando para mim como se fosse um cego que enxergasse a luz do sol pela primeira vez.
Um pouco desolado por saber que é apenas um ilusão de minha mente, me forço a abrir meus olhos. Em despedida, olho-te em meus pensamentos uma última vez e pela voz mental digo: “Até!” e basta.
Abro meus olhos e contemplo o branco vazio preenchido por linhas negras, outras vezes azuis, formando palavras para agregar valores literários e científicos em uma mente sonhadora. Parece que entro em um bar totalmente diferente de mim e digo: “Garçom, por favor! Uma dose de Física Quântica para um Trovador Mudo!”
O som que aumenta gradativamente e às vezes irritante aos ouvidos anuncia que acabou nosso tempo ali. Saio deste espaço e me encaminho para meu asilo infeliz que chamo de “Casa”. Porém, antes de ir, olho-te em tua forma corpórea, forma esta que não é fantasia, é tua forma real.
E nesse breve olhar pego-te contemplando meu andar, minhas formas, meus jeitos e, por fim, meus olhos. Olhos teus que perfuram o meu como balas. Balas estas que vem com um veneno que primeiro me emociona, depois me mata.
Desta vez, vejo que tua porta do aliso se abre pelos lados em forma de lua crescente. A lua mais linda que já vi. De repente, todas as fantasias que tive mais cedo tomam uma tonalidade mais forte e a possibilidade desta acontecer, é a mesma que dois mais dois é igual a quatro.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Reticências

Por muito foi denominado “aqueles dias” paras as mulheres que estavam “naqueles dias”.
Venho trazendo para minha linha de vida uma nova definição de “aqueles dias”, pois estou literalmente “naqueles dias”.
Furacão de emoções que nem mesmo palavras errantes ou até mesmo palavras certas para os sentimentos que sinto definem claramente o que realmente é. O dicionário não passa de um livro de mentiras para o que sinto e minhas verdades plausíveis que tento levar em meu próprio mundo.
Amigos que, mesmo que eles já tenham passado pelo mesmo que eu, não pode-se comparar o que passo agora. Um segredo que guardo que, há apenas alguns guardiões, ancestrais do Homo sapiens sabem sobre tal coisa.
Estresses contínuos de pessoas que antes eu confiava, porém, que agora não passam de víboras em minhas pernas esperando um passo em falso para seu bote fatal. Bote esse que fará me fazer pensar que o motivo de minha morte foi puramente minha culpa.
Olhar para um alguém que nem mesmo se esta presente e que, nas suas raras ocasiões que esta, transparecem desejos que eu sei ou imagino saber, porem, que o mesmo nem sabe os seus significados.
Estamos ligados por um fio dourado tão fino e imperceptível que olhos normais são impossível de notar, porem, com fortaleza de um Titã e que esse “mesmo” parece não perceber essa ligação e tenta mascarar isso da mesma forma que eu mascaro o meu desejo por este “mesmo”.
Pessoas cuja opiniões são tão forte e poderosas que se elevadas ao altos níveis de parlamento, pode gerar tamanha confusão, não são possíveis conjurar um única opinião sobre o meu caso mesmo quando eu peço. Ou talvez tenha essa opinião e não a exponha com um certo medo de eu não querer escutar ou até mesmo medo de eu não estar preparado para ouvi.
Palavras de consolações que para as donas dessas portas do hálito que sopra tal frases fazem total sentido, porem, pra mim é de um vazio. Vazio esse que caio constantemente sem interrupções entre minha consciência e inconsciência.
Porem... Ao escutar uma musica de uma cantora de minha época que se autodenomina “Pitty”: “Às vezes se eu me distraio, se não me vigio um instante, me transporto pra perto de você...” percebi o motivo de eu esta me tornando tão vazio e até mesmo sem conteúdo.
Isso que esta transformando tudo o que eu estou passando no Caos total e é a única coisa que transformaria esse período de Tártaro em Campos de Eleusis é o maldito segredo mencionado antes aqui que junto com uma maçã foi enterrado.
O maldito que carrega os dois F’s cujo a ligação pode ser tão forte que nem mesmo desconfiaria disso. Eu vivo numa esperança ou até mesmo uma Falsa Esperança de que esse tome a coragem e venha até mim trovar sobre o que nem mesmo o dicionário poderia nomear. Vivo encarando algo que talvez seja produto de minha mente confirmada pela mensagem não respondida. Ou talvez seja até mesmo maior do que eu ache que é e que tudo tem seu tempo. Porém a pergunta “Quando” ainda pipoca tão fervorosamente em minha cabeça que em horas, muda tudo de figura e coloca meu mundo em movimento contrario.
Enquanto essa pergunta estraga todas as minhas semanas com todos os 7 dias, o “F’s” parecem prometer que tudo ficaram bem e que os fins justificam os meios.
Esse é o meio de uma história que nem mesmo o Oráculo de Delfos saberia ver o fim.