Falsetas do amor que não se pode explicar e a demonstração, por mais que seja intensa, ainda fica deturpada em sua demonstração.
Vejo-lhe nos corredores frios da manha em que andamos tão incansavelmente nesses anos que lhe tenho a dádiva de ter lhe visto e ter lhe falado em certa ocasião cômica.
Olho em teus olhos perdido no relento e imagino como seria esses mesmo olhos em meus em suaves cantigas de amor faldas por gestos de mãos.
Vejo tua forma grande e viril e fantasio de como seria teu corpo me acatando bem lentamente em uma tarde ensolarada num campo verdejante longe dessas terras áridas e intensa em que vivemos.
Fecho meus olhos e imagino nos dois em plena fonte da juventude nos descobrindo juntos. Silencio. Silencio esse que é completado por tua respiração leve porem intensa no pé de meu ouvido.
Imagino teus beijos calorosos em meus lábios rosados, rosando em ritmo perfeitamente coreografado. Sussurros. Sussurros estes, que não são de vozes, mas sim de pele sobre pele nua enquanto nos juntamos em nossa cama feita do corpo de Gaia.
Fantasio com teus olhos brilhantes de eterno sonhador que eu vejo em leves momentos enquanto estou passando pela tua morada do saber, olhando para mim como se fosse um cego que enxergasse a luz do sol pela primeira vez.
Um pouco desolado por saber que é apenas um ilusão de minha mente, me forço a abrir meus olhos. Em despedida, olho-te em meus pensamentos uma última vez e pela voz mental digo: “Até!” e basta.
Abro meus olhos e contemplo o branco vazio preenchido por linhas negras, outras vezes azuis, formando palavras para agregar valores literários e científicos em uma mente sonhadora. Parece que entro em um bar totalmente diferente de mim e digo: “Garçom, por favor! Uma dose de Física Quântica para um Trovador Mudo!”
O som que aumenta gradativamente e às vezes irritante aos ouvidos anuncia que acabou nosso tempo ali. Saio deste espaço e me encaminho para meu asilo infeliz que chamo de “Casa”. Porém, antes de ir, olho-te em tua forma corpórea, forma esta que não é fantasia, é tua forma real.
E nesse breve olhar pego-te contemplando meu andar, minhas formas, meus jeitos e, por fim, meus olhos. Olhos teus que perfuram o meu como balas. Balas estas que vem com um veneno que primeiro me emociona, depois me mata.
Desta vez, vejo que tua porta do aliso se abre pelos lados em forma de lua crescente. A lua mais linda que já vi. De repente, todas as fantasias que tive mais cedo tomam uma tonalidade mais forte e a possibilidade desta acontecer, é a mesma que dois mais dois é igual a quatro.